
99 pequenas caixas com uma surpresa dentro
Tudo começou quando estava lendo a biografia do Duchamp e achei o “Com barulho secreto, [With hidden noise] 1916”. Esse é um dos primeiros readymades de Duchamp e consiste em um novelo de barbante entre duas placas metálicas seguras por quatro parafusos. Após terminar o objeto, ele pediu que um amigo* que colocasse um objeto dentro do novelo. É esse objeto que faz o barulho secreto já que nem o artista sabia o que era. As placas também têm algumas inscrições que formam um jogo de palavras incompletas em inglês e francês.
A idéia do 99 é a construção das 99 caixas de papel com surpresas dentro que seriam objetos comuns. Essas caixinhas seriam então fechadas e utilizadas na instalação-performance. Levá-las para passear pela cidade e acompanhar alguém. Durante sua rotina os carregadores abrem diversas das caixas e passam a levar o conteúdo grudado ao corpo.
E você me pergunta e daí?
Não estou entrando aqui no quesito do humor ou dos jogos, nem do simples objeto e estranhamento causado por alguém que os carrega por aí. As caixas estão inseridas nessa rotina como uma lembrança.
Elas fazem o papel das surpresas que encontramos. As instabilidades e os acasos que uma vez descobertos e conhecidos nos acompanham. 99 pequenas caixas com uma surpresa dentro é sobre instabilidade, acaso, possibilidades e vida. O que e como fazemos com o que encontramos no nosso cotidiano e as muitas possibilidades existentes.
Como:
A primeira idéia era apresentar as caixas fechadas em diversas posições formando objetos escultóricos** que seriam fotografados em diversos lugares. Houve também a idéia de colocá-las alinhadinhas como blocos de edifícios soviéticos. Mas isso foi logo descartado devido à falta de ligação com o caos cotidiano. O material das caixinhas é uma coisa ainda não resolvida, estou entre papel Paraná de gramatura baixa ou papel Kraft de gramatura alta. Embora eu goste mais da cor do Paraná por causa do aspecto de inacabado e de ficar longe da lembrança de caixas de papelão.
As surpresas ainda não foram escolhidas.
Não haverá um tamanho padrão, o que, acho, dará ainda mais ênfase à idéia de possibilidade e escolha dentro do acaso.
Realização e documentação:
Gostaria de já ter alguma coisa para apresentar, mas não tenho. Por enquanto só uma ilustraçãozinha. Estou pensando em documentar com foto e vídeo (mostra mais as interações).
*Walter Arensberg que acabou sendo o maior colecionador de obras de Duchamp e um dos grandes colecionadores de arte moderna.
**Achei escultural muito estranho, não que escultórico seja tão melhor.
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